Entrevista de João Sevilhano à RH Magazine

Clique na imagem para ler o PDF original, gentilmente cedido pela RH Magazine

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Na edição da RH Magazine deste mês, João Sevilhano, director pedagógico da EEC, fala do propósito da Escola, dos métodos de motivação e sobre a aplicação práctica do Manifesto E2C!
Fica o convite para ler a entrevista, abaixo, ou na secção "Em Foco: Coaching e desenvolvimento" da RH Magazine.

Que necessidades a Escola Europeia de Coaching veio colmatar face a tudo o que já existia em Portugal neste domínio?

A EEC surgiu com um propósito muito claro: tornar-se na escola de referência em Portugal, no que diz respeito à formação de coaches. Acreditamos que, com estes anos de trabalho e de presença no mercado, conseguimos conquistar o reconhecimento que almejávamos. Contudo, com a evolução do mercado e, sobretudo, com o nosso próprio crescimento e evolução enquanto equipa e empresa, o nosso propósito modificou-se ou, melhor, também ele evoluiu. 

Queremos que a EEC seja mais do que uma escola de coaching. Queremos que a EEC se transforme numa “escola” mais abrangente e transversal, aludindo ao significado original do termo: um local dedicado à cultivação, à aprendizagem, ao ócio (também na acepção original da palavra). Queremos que a EEC seja vista como um espaço onde as pessoas e as empresas que connosco querem trabalhar possam aprender de uma forma profunda, sustentada e sustentável; que o tempo que dedicam a si, connosco, possa tornar-se numa mais-valia, não apenas em termos do desenvolvimento de competências e adopção de novos comportamentos, no sentido da aquisição de capacidades ao nível do saber-ser. Não querendo desvalorizar nem discriminar outras vias, acreditamos que tal é possível através da criação de uma cultura de responsabilidade individual e colectiva, da melhoria das relações interpessoais e da recuperação de valores humanos fundamentais que têm evidentes repercussões na vida prática. 

A experiência e o reconhecimento que temos alcançado com a vertente “académica” (formação de coaches) e o trabalho que temos vindo a desenvolver fora desse âmbito, com as organizações e as suas pessoas, permite-nos conceber que é a qualidade da relação que estabelecemos com cada organização, com cada equipa e com cada pessoa que nos diferencia. Algo que é difícil de transmitir através dos meios de comunicação habituais. É este o nosso grande desafio actual, comunicar a nossa diferença e como podemos ajudar a fazer a diferença.

O que mais procuram na Escola Europeia de Coaching?

A EEC, porventura pelo próprio nome, está muito ligada ao ensino, à investigação, ao desenvolvimento e à prática do coaching, nas suas diversas vertentes. Por esta razão, sentimos que somos reconhecidos e procurados, antes de tudo, para ajudar as pessoas no percurso de aprendizagem que lhes permitirá tornarem-se coaches. 

Também nos procuram para o desenho e implementação de processos de coaching nas organizações. Nesta vertente, o nosso trabalho tem adoptado diversos formatos. 

Além da condução de processos de coaching individual para quadros das empresas, com o intuito de apoiar e acelerar o seu desenvolvimento pessoal e profissional, temos sido procurados também para formar pessoas para que possam aplicar internamente as competências e criar contextos de aprendizagem que um coach deve saber implementar. Isto acontece tanto por via directa, formando coaches internos, como por via indirecta, formando líderes para que possam tomar contacto e adoptar novas atitudes e posturas em relação ao exercício da liderança, à gestão de equipas e de pessoas, à comunicação e às relações humanos de uma forma mais genérica.

Uma outra vertente que tem despertado interesse é a experiência que temos adquirido em ajudar a desenhar e a implementar programas de coaching interno: desde a concepção, à definição da filosofia, dos procedimentos, interligação com as políticas e processos da gestão de pessoas, com os resultados e com a performance; a formação dos próprios coaches internos, apoio ao seu desenvolvimento e aprendizagem contínuos através de supervisão…

Como referimos anteriormente, temos competências e conhecimento para ajudar as pessoas e organizações que ultrapassam a metodologia do coaching. Mantendo esta nossa área de especialidade, queremos dar a conhecer as nossas outras facetas.

Que métodos utilizam para motivar os alunos?

A palavra “aluno” deriva do latim alere, que significa “alimentar, sustentar, nutrir, fazer crescer”. 

Por isso os participantes nos nossos programas não são vistos como “meros participantes” mas sim como alunos; como pessoas que procuram “alimento” intelectual, relacional, emocional com vista a melhorar a sua forma de ser e, por consequência, de fazer.

Acompanhamos os nossos alunos no seu processo pessoal de evolução. Numa perspectiva de desenvolvimento, aprendizagem e evolução constantes, convidamos o aluno a viver e a pôr em prática uma série de experiências pessoais que acompanham um percurso teórico sustentado e rigoroso. 

Trabalhamos para alcançar uma aprendizagem transformacional. Os profissionais da EEC actuam como facilitadores desta aprendizagem, ajudam o participante a descobrir:

• Como o modo como interpreta as situações condiciona as suas acções (e os seus resultados).

• Que poderá não estar a “ver” que poderia oferecer-se a si mesmo novas possibilidades e alternativas de actuação.

Procuramos que esta atitude pedagógica se ligue a uma cultura de responsabilidade, em que é o próprio aluno o responsável pela sua aprendizagem. Assim, surgimos como figuras de apoio apoio para que cada pessoa defina e/ou descubra o que a motiva e/ou pode motivar. No fundo, a nossa responsabilidade torna-se em ajudar os nossos alunos a serem responsáveis pelo seu próprio percurso. Caminho esse que implica uma transformação, um questionamento do status quo, das perspectivas e paradigmas vigentes para que estes saiam reforçados e com melhor fundamento ou possam ser desenhados e construídos novos, mais úteis e eficazes para o próprio e para o seu contexto.

Recentemente apresentaram o Manifesto E2C. Em que consiste e como pretendem aplicar o manifesto na prática?

O Manifesto E2C foi uma forma de anunciarmos, de manifestarmos, que estamos ocupados com temas abrangentes, transversais e na ordem do dia. Muito para lá daquilo em que ganhámos reconhecimento: o coaching. Podendo ser lido na íntegra online - www.escolacoaching.com/manifesto-e2c/ - com este nosso manifesto procurámos um posicionamento mais fiel a quem somos e mostrar que estamos atentos ao que observamos e vivemos todos os dias enquanto pessoas, equipa e empresa e, sobretudo, junto dos nossos clientes e potenciais clientes. 

O Manifesto E2C partiu de uma inquietude ao assistirmos e vivermos num conjunto de paradigmas que são para nós muito visíveis na sociedade e na cultura contemporâneas. Obviamente que estas perspectivas vigentes se repercutem nas organizações e no mundo do trabalho. Por isso, organizámos as nossas ideias em 5 pontos que resumem e exploram estas inquietações mas vão e pretendem ir para além de uma simples manifestação. Com este manifesto, pretendemos também começar a dar a conhecer em que áreas a EEC se move e pode mover, no sentido de ajudar as pessoas, as equipas e as organizações a viver melhor. O Manifesto E2C é, ao mesmo tempo, uma declaração de intenções que estamos e pretendemos concretizar através dos trabalhos que fazemos de forma personalizada e da oferta estruturada que vamos apresentar.

O que na sua opinião falta aos líderes das nossas empresas? E aos colaboradores?

A resposta curta e, talvez, mais provocadora seria: “saber pensar melhor”. Com isto não queremos dizer que os líderes e colaboradores pensam mal, apesar da palavra “melhor” poder encaminhar para essa interpretação. Aliás, hoje em dia os líderes e os colaboradores, no geral, estão e são cada vez mais capacitados do ponto de vista técnico. 

Aquilo que defendemos é que, para além dos aspectos e competências técnicas, para lá dos aspectos ditos comportamentais, há que procurar um estilo de reflexão e de relação consigo e com os outros que permita o questionamento e desenvolvimento contínuos. Portanto, não se trata apenas de deter a informação, o conhecimento, as técnicas ou os comportamentos. Mais do que o saber-saber ou que o saber-fazer há que cultivar o saber-ser, dimensão que vai para lá da acção mas que a incorpora. 

Na prática não implica apenas a tomada de consciência de novos paradigmas, de novas perspectivas; implica a sua incorporação e aplicação “transparente” no quotidiano: a “sabedoria prática”.

Sendo que uma das máximas da escola é elevar à simplicidade. Que conselho dá para pessoas que têm atividades profissionais complexas?

O primeiro passo para elevar a simplicidade é abraçar a complexidade. Viver tendo em conta que a natureza humana é imensamente complexa permitirá encontrar estratégias e soluções adaptadas a cada caso e que sejam mais benéficas para todas as partes. Tal atitude implicará renunciar à procura de soluções simplistas, de receitas universais e entender melhor as necessidades concretas que emergem de cada situação. É um olhar mais próximo e mais distante, em simultâneo. 

Não queremos com isto dizer que os modelos, as teorias, as técnicas ou os processos não são válidos. Defendemos, sim, um olhar crítico na procura de fundamentação para os pressupostos de onde todos partimos. A partir deste exercício, ou forma de pensar, encontram-se soluções simples. 

Por exemplo, quantos de nós conhecemos pessoas que têm muita informação/conhecimento e são muito complicadas no relacionamento? Por oposição, quantas pessoas que consideramos “simples” não nos oferecem uma sabedoria imensa? Conseguir a simplicidade nas relações humanas será algo muito próximo fórmula arte. E não é a Arte algo tão simples e complexo, ao mesmo tempo? 

Cada vez mais o Coaching é procurado como recurso ao desenvolvimento profissional. Na sua opinião isto significa mudanças comportamentais nos nossos profissionais? 

A resposta a esta pergunta já terá sido dada, pelo menos de forma parcial, nas respostas às perguntas anteriores. 

O coaching, da forma como o concebemos e aplicamos, é uma das formas mais eficazes de criar os tais contextos propícios à aprendizagem contínua. Não é certamente o único. Tampouco será o mais indicado para todas as situações. Na EEC acreditamos que todas as mudanças deverão repercutir-se ao nível dos comportamentos, efectivos e observáveis. Mas, para estas mudanças serem “reais”, sustentadas e sustentáveis, há que procurar uma transformação ao nível ontológico, isto é, ao nível da forma de ser, ver é viver nos contextos onde nos movemos.