Ilustração por Rita Andrade, realizada ao vivo no dia 20 de Novembro de 2014 durante o lançamento do Manifesto E2C. Clicar na imagem para aumentar.

Somos uma escola, uma empresa, uma equipa e uma comunidade interessadas em elevar pessoas e organizações; existimos para ajudar os nossos clientes a viver melhor e a atingir os seus resultados, através da criação de contextos de aprendizagem. Acreditamos que o conhecer e saber-fazer não são suficientes. Hoje, sempre, o que faz a diferença é o saber-ser.

Na EEC não temos a pretensão de ter resposta para tudo, não encontramos soluções para todos os desafios, não temos modelos que se adaptem e resolvam todas as situações. Acreditamos, sim, que temos a coragem, a humildade e a qualidade humana para dizer “não sabemos”; para declarar que “estamos exactamente na mesma situação de dúvida e de incerteza; que estamos dispostos a percorrer caminhos e a criar contextos, em conjunto e em co-construção, que levem à inovação, à evolução e à descoberta de novas soluções para problemas, simultaneamente, antigos e modernos.

Convictos que um primeiro passo para a mudança é a manifestação da sua necessidade, a EEC apresenta um manifesto, a nossa declaração de intenções que propomos concretizar em todas as nossas acções, interações, reflexões e oferta.

Vídeos

Vídeo do evento de lançamento do Manifesto E2C, no dia 20 de Novembro de 2014, no Hotel da Estrela em Lisboa.

Escola Europeia de Coaching

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Escola, Empresa, Comunidade

1.

Queremos reclamar o direito ao tempo.

Procuraremos abolir a ideia de equilíbrio entre a “vida pessoal” e a “vida profissional”

Hoje a religião é a do tempo. Como “tempo é dinheiro” este último também entra na equação. O paradigma vigente é o da produtividade, do empreendedorismo, da proactividade, do crescimento, do lucro, do bem-estar e da felicidade. Hoje facilmente se encontram listas de comportamentos, acções, estratégias e características que, se levadas à risca, nos deixariam mais felizes. Estaremos? 

Hoje, na maioria das pessoas, é evidente um sentimento de urgência permanente, de pressa constante, de correr contra um tempo que se sente não se ter ou não existir. 

Na EEC acreditamos que o tempo é preponderante:

  • para uma boa integração das aprendizagens;
  • para a elevação do auto-conhecimento;
  • para a integração dos afectos;
  • para a transformação do conhecimento em sabedoria;
  • para encontrar equilíbrio entre todas as dimensões e papéis que desempenhamos na vida;
  • para não fazer “nada”.

Quem disse que tempo é dinheiro?! Um disparate que é verdade para tantos e que tanto nos influencia e nos empata. Ao nível de outras tretas históricas que nos definiram e continuam a definir, como querer separar o corpo da mente e a razão da emoção. Tempo é tempo! Tal como o tempo meteorológico, não é passível de ser controlado. Podemos, sim, mudar a forma como vivemos com o tempo limitado que temos.

O trabalho faz parte da vida. A clivagem entre essas duas dimensões levará, mais tarde ou mais cedo, à falta de autenticidade, genuinidade e espontaneidade; conduzirá a uma maior dificuldade em haver alinhamento com os valores; provocará um maior dispêndio de energia na procura de um balanço entre essas duas dimensões que, se separadas, dificilmente se poderão conjugar de forma equilibrada. A forma como as instituições “trabalho” e “família” estão hoje organizadas torna incompatível uma conjugação harmoniosa de ambas. O modo como vivemos o tempo ajudará a conseguir uma integração dos diversos papéis que desempenhamos na vida.

2.

Trabalharemos para ajudar a distinguir informação de conhecimento e de sabedoria.

Somos contra o “solucionismo”. Somos a favor da integração entre a Arte, a Ciência, a Academia e a Cultura.

Há hoje uma tendência, uma vontade, que por vezes e para alguns se torna em necessidade, de ter seguidores; nota-se uma urgência em mostrar o nosso exemplo, a forma como vivemos o episódio X, resolvemos a situação Y ou ultrapassámos a adversidade Z, que quando aliada à pretensão de transformar essas histórias em receitas universais e, por isso, úteis para os outros, se tornam em pílulas pseudo-intelectuais que seduzem, alienam e iludem os mais ingénuos, divertem os cépticos e entristecem os sérios. 

A sabedoria brota da integração dos afectos no conhecimento, do pensar sobre a experiência vivida. O conhecimento, esse, é também produzido pelas pessoas através de um “pensar inteligente”. A informação está nos livros, na internet e afins. Para muitos interessa que continuemos confundidos. Por exemplo, quem não sentiu mais sábio ou conhecedor após ver um vídeo do TED? A sabedoria não se alcança por “injecções”.

Olhamos a sabedoria como a capacidade de entender o que a vida tem de valor para o próprio e para os outros. A sabedoria, portanto, inclui o conhecimento mas está para além deste. Existe nela uma dimensão moral: a do respeito pelo próprio e pelos outros.

Mais do que o saber e do que o saber-fazer (know-how), trabalhamos para elevar o saber-ser.

Não procuramos nem oferecemos “receitas” nem listas de passos a seguir para se conseguir ser e/ou fazer as coisas de determinada forma. Somos contra o “solucionismo”. Criamos contextos, espaços e tempos de aprendizagem para que as pessoas possam descobrir os seus próprios caminhos, recorrer aos recursos que estão disponíveis, mas nem sempre “à mão”, e encontrar respostas necessárias para avançar. 

Perseguir a sabedoria é, para nós, o mesmo que procurar a integração entre conhecimento e a experiência, é a incorporação do aprendido, é a complementaridade entre Ciência, Arte e Cultura. É a aceitação do ócio como algo positivo e útil e não necessariamente como sendo o oposto de [neg]ócio.


3.

Somos uma equipa, uma empresa, uma comunidade devotada a ajudar a desenvolver uma nova comunidade dirigente.

Líderes que contribuam para (re)humanizar as relações das pessoas dentro das empresas e entre as empresas e as suas pessoas.

Os líderes têm um papel fundamental nas suas equipas, nas suas organizações e na sociedade. Ajudando-os a ser mais sábios, a conversar melhor, a escutar melhor, a ligar-se melhor aos outros e a conhecerem-se melhor a si próprios, procuramos contribuir para caminhos de excelência na obtenção de resultados

Arriscamos dizer que hoje, uma maioria das pessoas e das organizações, a vários níveis e de várias dimensões, desvalorizam as dimensões humanas, intangíveis, e qualitativas, caindo na ilusão de procurar resolver os complexos desafios que se nos apresentam através de ajustes de quantidades. Acreditamos que a transformação social, cultural, artística, científica e humana em que acreditamos não deve dar-se através de uma ruptura abrupta com o paradigma vigente. Não defendemos um corte mas sim uma evolução. Pela mesma razão que será errado hoje desvalorizar as dimensões humanas, subjectivas e quantitativas, o futuro não poderá ignorar as dimensões e perspectivas quantitativas. Defendemos uma integração e harmonização das duas perspectivas. 

A passagem do paradigma da gestão dos recursos humanos para o da gestão das pessoas traz consigo uma incongruência, para não referir incompatibilidade, de base. Como se medem as pessoas? Como se gerem as pessoas? Uma das formas de resolver este paradoxo pode passar por um pequeno jogo de linguagem: passar da gestão de pessoas para a gestão com e para as pessoas.

Os jogos de linguagem não são, obviamente, a solução, pelo contrário, serão parte do problema. Não bastará declarar a mudança de paradigma. Essa declaração deverá fazer-se acompanhar por acções congruentes, não esquecendo que o discurso, em si, é já acção.

Há que reconhecer que, nas empresas, no país, no mundo, nas pessoas, as incoerências entre o discurso e a acção são parte da natureza humana. Apesar disso, somos seres capazes da coerência e é nessas ocasiões que a humanidade dá passos em direcção à prosperidade. 

As pessoas, na sua imensa complexidade, tem de poder estar abertas e sobretudo disponíveis a outros domínios da sua vida. Esse direito não deve ser um luxo de poucos. Deve ser uma exigência de muitos. Não será possível continuar nesta senda da produtividade, eficiência e eficácia a todo o custo. Não será sustentável. Há que reconhecer as limitações da condição humana. 

É imperativo o reencontro com a dimensão humana na sua plenitude. Só desta forma poderá haver uma promoção activa da qualidade das pessoas enquanto tal, tanto em falta nos líderes de hoje. Muito se preconiza que a liderança deverá partir de uma postura e atitude de autenticidade, esquecendo muitas vezes que muitas pessoas ao serem autênticas são execráveis.

Não podemos ficar pelos nomes, pelos conceitos, pelos paradigmas e pelas teorias. Tem de se encontrar uma nova filosofia, uma filosofia prática, em que garantamos todos, através do nosso exemplo, que ela vive e é aplicada. 

Por tudo isto nos encaramos como uma Escola que, nas noções ancestrais latinas e gregas do termo, significava “interrupção para aprendizagem”; “ócio dedicado ao estudo”; “local para discussões/conversas”; “local onde se emprega o lazer/tempo livre”.

4.

Queremos anular a obsessão com a felicidade

“(…) a felicidade e a infelicidade são irmãs e até gémeas que, sempre em conjunto, ora crescem ou permanecem pequenas”
— Nietzsche

Hoje, e talvez não seja exclusivo dos dias que correm, há uma preocupação e uma ocupação quase obsessivas com a busca da felicidade. De tal forma que, além da sua condição dolorosa por natureza, à infelicidade, à tristeza, à depressão acrescentam-se o estigma, a humilhação e a vergonha.

Agora entra um cliché ou uma “profundidadezinha”, como nos diz o filósofo Daniel Dennet, esta é uma questão antiga que ocupa e preocupa os seres humanos desde sempre. Claro que a forma como nos debruçamos sobre o tema tem mudado ao longo do tempo. Mudanças essas que não poucas vezes esquecem ou fazem mesmo por esquecer o que já foi dito, pensado e escrito antes. Como se a mudança implicasse um corte com o passado. Parece ser essa a moda hoje, desvalorizar o passado e dirigir todo o esforço a descobrir algo totalmente novo.

Talvez essa seja parte do desafio, encarar a mudança como algo inevitável, que deve integrar o passado e não o ignorar, procurando apenas construir um futuro. 

Nesta dança temporal, que paradoxalmente só pode acontecer no “aqui e agora”, esquecemo-nos do presente.

Acreditamos que é exactamente nos paradoxos, na ambivalência que residirá uma qualquer espécie do que se chama de felicidade. Da mesma forma que o crime é normal necessário e útil numa sociedade (Durkheim), que a doença faz parte da saúde (Canguilhem), também a tristeza e a felicidade não podem ser separáveis nem tampouco colocadas em extremos opostos.

“Não, … estar infeliz não é humilhante. O sofrimento físico é por vezes humilhante, mas o sofrimento do ser não pode ser, é a vida.”
— Camus

5.

Elevar a simplicidade na forma de ser e na forma de fazer

Nota-se uma tendência para considerar o mundo de hoje como incerto, veloz, complexo e paradoxal. Contudo, ao olharmos para a história, acreditamos que os nossos antepassados poderiam ter dito exactamente o mesmo em relação às épocas em que viveram, se é que não o fizeram.

Na EEC buscamos uma “simplicidade avançada”, isto é, inventar, descobrir modelos e acções simples para realidades complexas.

Retomando a ideia de paradoxo, acreditamos que a simplicidade é complexa. O factor diferenciador nas relações humanas, de qualquer tipo, é a simplicidade das e nas interações, das acções. Alcançar a simplicidade nas relações humanas, na forma de estar e de ser, é um exercício, um percurso, que envolve grande complexidade. A simplicidade implica autenticidade, genuinidade e estar confortável com a vulnerabilidade. Implica auto-conhecimento, implica ter interesse por conhecer os outros, implica uma atitude de escuta, de respeito pelo silêncio e de respeito pelos outros.

”Porque ouvir os outros (e os factos) não é uma capacidade fisiológica, mas sim ética - e toda a pessoa decente o sabe.”
— Gonçalo M. Tavares (in Revista Visão)

Simplicidade tem muito que ver com clareza, e a clareza é importante na comunicação. É um cliché, bem sabemos.

Será através da clareza e simplicidade com que nos devemos dar a conhecer aos outros; através delas poderemos aceder a uma compreensão mais sofisticada de quem somos, que se estenderá aos outros, com quem nos relacionamos.

Tal compreensão surgirá, através de um “viver inteligente”, onde a vida não é apenas uma sucessão de acontecimentos, percepções e sentimentos mas uma constante aprendizagem que brota de uma reflexão activa, crítica e fundamentada sobre esses mesmos episódios e experiências. Saber viver bem é também saber pensar bem. 

A vida é bem vivida quando a experiência é integrada nos afectos e estes, por sua vez, não são dela separáveis. A simplicidade das acções implica reflexões complexas. Viver bem implica pensar e sentir bem.


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