Um desafio aliciante...

Três apontamentos por Vitor Sevilhano

Da minha larga experiência como Executive Coach escolhi três apontamentos para partilhar com o leitor interessado por estes temas, todos eles ligados a um efetivo e bem sucedido processo de coaching, a saber.

Primeiro Apontamento

O primeiro apontamento é “lapaliciano” mas é muito verdadeiro e profundo. O sucesso de um processo de coaching está direta e intimamente ligado à vontade do coachee em aproveitar a oportunidade e levar o processo de coaching à séria. Em algumas situações certos Executivos entram em processos de coaching, ou porque o superior hierárquico lho recomendou, ou porque o Diretor de Recursos Humanos o convocou para tal, sem ter sido consultado, nem ter havido alguma conversa com ele sobre o assunto. Muitos entram no processo contrariados e, apesar do profissionalismo do coach, que se esforça por fazer um bom trabalho, não estão interessados no processo, encaram as sessões de coaching como um fardo e uma perda de tempo. Escusado será dizer que o resultado não vai ser auspicioso.

Nós coachs profissionais, percebendo desde cedo estas situações, temos o dever ético das denunciar  e não prosseguir com o processo de coaching.
 

Segundo Apontamento

Nos processos de coaching o assessment inicial, nomeadamente utilizando ferramentas de feedback 360º é de particular importância. Estas ferramentas trazem evidências “objectivas” sobre as características pessoais e profissionais do coachee. Partilhar com ele os resultados destes sassessments é de grande utilidade. Bastas vezes tenho constatado coachees que têm uma imagem de si próprios que não coincide nada com o resultado dos assessments. Recebem grandes surpresas, por vezes autênticos “baldes de água fria”. Contudo, vai ser a discussão desses temas, dessas diferenças de pecepção que vão ajudar a definir objectivos e acções de mudança, plasmadas nos seus PDP (Plano de Desenvolvimento Pessoal).

Terceiro Apontamento

Simplificando, os processos de coaching-tipo têm três etapas a cumprir: (1) 0 assessment, (2) a construção do PDP, (3) 0 cumprimento do PDP.

Uma vez tendo o coachee definido o seu PDP, há que o cumprir. Há que passar à prática, concretizando objectivos e acções neles consagrados.
 
Nesta etapa o coachee interessado em aproveitar o processo de coaching (voltamos ao primeiro apontamento) vai esforçar-se em cumprir o seu PDP, vai, com disciplina e empenho tê-lo na secretaria, à vista, para não se esquecer dele e  o passar à prática as transformações que le próprio escolheu, aceitou como aspectos transformacionais de melhoria.
 
É uma etapa que não é fácil para o coach, onde o coach deve encontrar formas imaginativas de “controlar” o cumprimento do PDP e de animar o coachee a segui-lo e concretiza-lo até ao fim.
 
Ser coach é um desafio muito aliciante...

Por Vitor Sevilhano, Administrador da EEC