Antes Ser para depois Fazer

Partilha de reflexão sobre o exercício de encontrar os factores distintivos da EEC

A liberdade para ter diferentes perspectivas, posturas particulares e estilos próprios revela-se um factor de definição da nossa equipa e, por consequência, da EEC enquanto empresa. Apesar disso, fica para descobrir, no meio de tamanha diversidade, o que faz com que os nossos clientes, os nossos alunos e os os nossos parceiros detectem algo de diferenciador na EEC e na sua “gente”.

Não pretendo com este texto responder, pelo menos de forma directa e conclusiva, e dar assim por terminado o exercício de encontrar todos os factores que distinguem a EEC. Procurarei, precisamente ao não responder, mostrar quem somos, como somos e de que forma estas dimensões se reflectem nas nossas acções.

Aquilo que consideramos distintivo na EEC e na nossa equipa é, por definição, difícil de transmitir por palavras. Estaremos, em última instância, a falar de factores intangíveis e subjectivos, sujeitos à interpretação individual, essa incontornável sina dos humanos. Para acrescentar à complexidade, é também sobre estes domínios que trabalhamos e é neles que ajudamos os outros a encontrarem o seu próprio caminho de desenvolvimento.

Nota-se uma tendência para considerar o mundo de hoje, o mundo em que vivemos como incerto, veloz, complexo e paradoxal. Contudo, ao olharmos para a história, acreditamos que os nossos antepassados poderiam ter dito, se não o fizeram mesmo, exactamente o mesmo em relação às épocas em que viveram.

Na EEC acreditamos que a natureza humana, além da sua imensa complexidade, é universal e intemporal. Queremos com isto dizer que, apesar das circunstâncias históricas muito diferentes, as questões, os desafios e os dilemas humanos não terão mudado assim tanto ao longo dos tempos. Continuando a olhar para a história, podemos também observar que nos últimos dois séculos, com os estrondosos e rápidos avanços industriais, económicos, científicos e tecnológicos, se passou a valorizar mais um conjunto de valores que ajudaram ao estabelecimento de uma mundivisão dominante que aparenta, para sermos politicamente correctos, valorizar mais as dimensões quantitativas da "realidade".

Deixando a correcção política suspensa por umas linhas de texto, arriscamos mesmo dizer que hoje, uma maioria das pessoas e das organizações, a vários níveis e de várias dimensões, ignoram as dimensões humanas, intangíveis, e qualitativas, caindo na ilusão de procurar resolver os complexos desafios que se nos apresentam através de ajustes de quantidades (alguns exemplos como na medicina, na academia, nas empresas e nos governos…).

Esta herança do positivismo, do utilitarismo e de outras correntes filosóficas e políticas que não importa detalhar neste momento, levou a uma espécie de “decadência”, de desvalorização, das ciências sociais e humanas. A Filosofia foi relegada para um papel quase exclusivamente académico; a Psicologia tem de se adaptar e a “aliar-se” a perspectivas mais positivistas para ser levada a sério, e, ainda assim, continua com muitas dificuldades…

Baseados na nossa prática profissional, verificamos uma curiosidade: muitas das organizações, das instituições e das pessoas que aderem e seguem a tendência descrita nos parágrafos anteriores declaram, paradoxalmente, que sentem falta de algo, de um sentido para a sua vida. Sente-se e escuta-se desconforto, desagrado, discordância e mesmo sofrimento. Talvez tal observação ajude a compreender porque se procuram respostas em domínios que, de um certo ponto de vista, estão para lá das humanidades, entrando nos “reinos” da magia e da mística (ainda que se utilizem ou inventem outras designações).

Como é que tudo isto está relacionado connosco? Bom, desde o nosso ponto de vista, muitas das empresas e personalidades que prestam serviços às organizações a às pessoas que aí trabalham, notamos uma tendência para responder às inquietações que fazem parte da nossa natureza enquanto espécie e que são reforçadas por esta percepção da contemporaneidade como sendo mais complexa, mais incerta e mais difícil do que qualquer outra época. Na EEC não temos a pretensão de ter resposta para tudo, não encontramos soluções para todos os desafios, não temos modelos que se adaptem e resolvam todas as situações. Acreditamos, sim, que temos a coragem, a humildade e a qualidade humana para dizer “não sabemos”; para declarar que “estamos exactamente na mesma situação de dúvida e de incerteza; que estamos dispostos a percorrer caminhos e a criar contextos, em conjunto e em co-construção, que levem à inovação, à evolução e à descoberta de novas soluções para problemas, simultaneamente, antigos e modernos.

Tudo isto é difícil de passar através de palavras, como já dissemos. A única forma que teremos de demonstrar e comprovar que o que dizemos acerca de nós próprios é verdade será pelo contacto directo, pelas relações que estabelecemos. Por enquanto sabemos fazê-lo através do coaching, da formação, do mentoring, do aconselhamento e de outras práticas e metodologias que não se encaixam em nenhuma destas etiquetas. Como sempre, continuamos atentos, sem obsessão, ao que de melhor está ainda para vir. Mantemo-nos interessados e investidos em contribuir para criar algo novo, sabendo que a novidade pode não ser, de forma necessária, uma invenção mas algo mais próximo de uma recuperação.

The designers who succeed are those that can bring back the essence of retro without losing the comforts of modernity*
— Vlad Savov, The Verge